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Resumo:
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O Estágio Supervisionado nos cursos de formação de professores apresenta-se como condição
básica para a formação do profissional que trabalhará com crianças, jovens e adultos em processos de
escolarização. No caso do Curso de Pedagogia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
(UESB), este estágio visa proporcionar experiências formativas para os graduandos junto à Educação
Infantil e Séries Iniciais do Ensino Fundamental. O objetivo deste texto é de apresentar um pouco
dessa experiência como professora de Estágio e apontar a importância, bem como a necessidade de
encontrar no Estágio Supervisionado um espaço de movimentos Identitários junto à profissão de
professor. Aparentemente é lugar comum esperar que o estágio de fato se apresente como essa ponte
entre a realidade dos alunos da graduação com a realidade profissional que os espera após sua
formação, porém a partir de nossos trabalhos realizados como orientadora, supervisora e coordenadora
junto a essa disciplina, percebemos que por muitas vezes é no Estágio, e somente no Estágio que tal
aluno consegue se perceber como pertencente a um grupo que tem saberes específicos, como sendo
responsável por outros sujeitos e se reconhece como partícipe de um processo que envolve outras
histórias, outros atores. É nesse ambiente que pretendemos ampliar nosso debate. Por muitos anos no
Estágio, os alunos afirmavam que não seguiriam a profissão de professor em sala de aula por acharem
que depois da experiência vivenciada por eles não “levavam jeito para a coisa”, “não sabiam planejar
aulas eficientes”, ou que de “fato não sabiam cuidar de crianças”, nem tão pouco gostavam da situação
precária social que os professores se encontravam/e ainda se encontram nas escolas de Educação
Infantil e Ensino Fundamental – Series Iniciais no Brasil. A partir do ano de 2002, a disciplina de
estágio Supervisionado passou a gerar espaços de maiores diálogos entre as escolas da comunidade, os
alunos/estagiários e professores/orientadores quando percebemos o grau de responsabilidade que
tínhamos como professoras, que para além de ensinar conteúdos destinados aos saberes docentes,
éramos também responsáveis por apresentar a importância de uma “felicidade” junto à sua profissão.
Os percursos trilhados por esta disciplina tentou fortalecer questões inerentes ao ser professor, ao que
é a escola, à carreira e o aprendizado contínuo, afagou as questões inerentes ao papel do professor para
a sociedade, para a história das profissões e tentou situá-los na condição de continuidade nos processos
identitários junto à profissão. Para tanto recorremos a um trabalho coletivo junto à comunidade de
professores, coordenadores pedagógicos, diretores, orientadores de estágio e estagiários na perspetiva
de renovar o sentido do estagiário na escola, do professor regente e dos próprios orientadores nesse
processo formativo. Os diários de bordo, as reuniões semanais com todos os sujeitos envolvidos no
processo, bem como espaços para estudos sobre a escola básica/professor/campo de trabalho foram
elementos imprescindíveis nesse reconhecimento de si. O texto oferece assim uma referência para
trabalhos na área, possibilitando a ampliação dessa discussão que vive de movimentos da prática para
se renovar e renovar os estudos do tema em questão. |