Os efeitos da crise das dívidas soberanas. As empresas presente e futuro. A solicitadoria e o futuro da profissão

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Os efeitos da crise das dívidas soberanas. As empresas presente e futuro. A solicitadoria e o futuro da profissão

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Título: Os efeitos da crise das dívidas soberanas. As empresas presente e futuro. A solicitadoria e o futuro da profissão
Autor: Silva, José Manuel Martins da
Resumo: Perceber o que se passou, e apontar caminhos para corrigir trajetórias, deverá ser sempre um desígnio de todos, principalmente quando algo não correu bem. Porque o ponto de partida, e o caminho percorrido á muito fazia prever que seria necessário corrigir alguma coisa, o efeito não terá sido surpresa para todos. A crise das dívidas soberanas contribuiu decisivamente para o aumento dos problemas, e para um agravamento do clima de incerteza quanto ao futuro, originando um mau estar entre os povos. Essa realidade tornou-se muito visível na Europa, fazendo regressar “fantasmas” do passado, como o racismo e a xenofobia, em resultado de uma crise financeira que inevitavelmente se tornou social, com o aumento do desemprego a redução do nível de vida da classe média e o consequente aumento do número de pobres. Nos países periféricos e em especial em Portugal, na Espanha e na Grécia, essa realidade foi ainda mais visível, embora esses efeitos não se tivessem feito sentir de igual modo nestes três países, até porque o ponto de partida também não foi igual para os três. Portugal, com um tecido empresarial maioritariamente assente em pequenas e médias empresas (PME)2, as quais representavam em 2012, 99,9% do nosso tecido empresarial, e que empregavam em média 2,63 trabalhadores por empresa3, sendo que dessas, 95,9% eram microempresas, muito dependentes do crédito bancário, com um acentuado desequilíbrio demográfico, e com uma grande percentagem pertencentes a setores como o comércio e os serviços não financeiros, como por exemplo a construção civil, ficaria inevitavelmente exposto aos efeitos da crise mundial. As decisões políticas e económicas mundiais que se seguiram, e as medidas recessivas implementadas em Portugal provocaram um aumento exponencial do número de insolvências e o consequente aumento dos números do desemprego, grande parte deles, sem grandes perspetivas de regressarem ao mercado de trabalho em virtude da sua fraca escolaridade.Com o desaparecimento de parte significativa das empresas em que assentava o nosso tecido empresarial, e da redução expressiva desse número em setores da nossa economia, como a construção civil, o comércio tradicional, e até pequenas industrias, vemos reduzir e em muitos casos quase desaparecer, um conjunto de profissões que se baseavam em mão de obra pouco qualificada, com um grau de escolaridade e conhecimento bastante reduzido, agravada em muitos casos por ser desempenhada por uma facha etária entre os 40 e os 60 anos, incapaz de se requalificar para as novas necessidades. Infelizmente, esta realidade está também presente no desemprego jovem, principalmente nos recém-licenciados, que não encontrando alternativa de emprego no nosso país, se vêm assim obrigados a emigrar quando, na maioria dos casos constituíam a grande oportunidade de desenvolver e criar valor em Portugal, uma vez que se trata da geração mais qualificada que o país alguma vez teve. Esta realidade, não é diferente para o Solicitador. O efeito da crise da dívida soberana teve um reflexo determinante na vida dos portugueses, das empresas, e dos profissionais de todas as áreas, criando um novo paradigma, que vai obrigar a um novo olhar sobre o exercício da profissão entre as quais a do Solicitador. A redução significativa de áreas, empresas e setores onde o Solicitador exercia preponderantemente a sua profissão, obrigará a uma reflexão sobre a mesma, abrindo uma oportunidade que devemos aproveitar para dar passos no sentido de aperfeiçoar a profissão e se necessário redirecioná-la, abrindo-a a áreas e setores até agora menos explorados. As causas e as consequências de uma realidade tão presente apelam ao empenho de todos, no sentido não só de perceber como as coisas aconteceram, mas também sobre o que poderíamos ter feito, para que o caminho pudesse ter sido outro.To understand what happened, and point out ways to correct trajectories, should always be the intention of everyone, especially when something has gone wrong. Given that the starting point and the path taken have long predicted it would be necessary to correct something, the result must not have been a surprise for everyone. The crisis of the sovereign debts has contributed decisively to the increase of problems, and to the worsening of a climate of uncertainty towards the future, causing a sense of discomfort between people. That reality has become very visible in Europe, bringing up “ghosts” from the past, such as racism and xenophobia, as the result of a financial crisis that has inevitably become social, with the increase of unemployment, the decrease of the middle class quality of life and the consequent growth of poor people. In the periphery countries and especially in Portugal, Spain and Greece, that reality was even more visible, although those effects were not equaly lived in those three countries, also because the starting point was not the same for them. Portugal, with a corporate structure predominantly based on small and medium enterprises (SME), which represented, in 2012, 99,9% of our corporate structure, employing on average 2,63 workers per company and, from those, 95,9% were micro enterprises, more dependent on bank financing, with a strong demographic disequilibrium, and with a large percentage of those companies pertaining to sectors such as commerce and non-financial services, such as civil engineering, would inevitably be exposed to the effects of the global crisis. The political and economical decisions that followed, as well as the recessive measures implemented in Portugal, caused a prominent increase of insolvencies and the consequent growth of unemployed people, with the majority of them with no great perspectives of going back to the labour market because of their poor schooling. With the disappearence of a significant part of the enterprises in which our corporate structure was set, and the expressive reduction of that number in sectors of our economy, such as civil engineering, traditional commerce, and even small industries, we are watching to the reduction and, in many cases, disappearence of a group of professions based on low-skilled labour, with a degree of schooling and knowledge quite reduced, agravated, in many cases, by an age group between their 40’s and 60’s, unable to requalify for new necessities.Unfortunately, this reality is also present in a younger unemployment, mainly in recent graduates, that after not finding an employment alternative in our country, have no choice but to emigrate, when, in most cases, they constitute a great opportunity to develop and create value in Portugal, given that they are the most qualified generation the country has ever had. This reality is not different for the Solicitor. The effect of the sovereign debt’s crisis has had a decisive reflex in the lives of the Portuguese, of enterprises, and of professionals from all areas, creating a new paradigm that will force a new approach about the exercice of professions, including the one of the Solicitor. The reduction of significant areas, enterprises and sectors where the Solicitor preponderantly performed his profession will force a reflexion over it, creating an opportunity that we must take in advantage in order to take steps towards an improvement of the profession and, if necessary, redirecting it and opening it to areas less explored until now. The causes and consequences of a reality so present appeal to the commitment of everyone, in order to not only understand how things happened, but also understand what could have been done so that the path had been different.
Descrição: Orientação: Joel Eduardo Neves Hasse Ferreira
URI: http://hdl.handle.net/10437/7481
Data: 2014


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