Autonomia e desenvolvimento comunitário no/do campo: contradições e consensos no Assentamento Luís Inácio Lula da Silva, do Movimento Sem Terra – MST – em Santa Cruz Cabrália -Bahia/Brasil

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Autonomia e desenvolvimento comunitário no/do campo: contradições e consensos no Assentamento Luís Inácio Lula da Silva, do Movimento Sem Terra – MST – em Santa Cruz Cabrália -Bahia/Brasil

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Title: Autonomia e desenvolvimento comunitário no/do campo: contradições e consensos no Assentamento Luís Inácio Lula da Silva, do Movimento Sem Terra – MST – em Santa Cruz Cabrália -Bahia/Brasil
Author: Felberg, Altemar
Abstract: Buscamos, neste trabalho, compreender de que modo os indicadores de desenvolvimento comunitário rural do Assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Luís Inácio Lula da Silva, localizado no município de Santa Cruz Cabrália, Território de Identidade Costa do Descobrimento - Bahia, refletem o grau de autonomia de seus moradores, homens e mulheres do campo, destacando, nessa relação, o papel da educação no processo de formação de sujeitos autônomos. Adotamos a pesquisa qualiquantitativa como enfoque metodológico, com a convergência das pesquisas descritiva e exploratória, tendo como instrumentos de coleta de informação, o questionário, entrevistas semiestruturadas e grupos focais. Como categorias teórico-analíticas, elegemos: Primeiro, a autonomia, entendida como a capacidade do indivíduo governar-se conforme uma lei própria, de maneira livre e racional, conduzindo-se à dignidade humana. Pode ser compreendida como um poderoso recurso capaz de livrar os indivíduos não só da submissão a processos heterônomos, que interferem sobre suas liberdades de escolha e ação, mas também dos quadros de vulnerabilidade socioeconômica, devendo ser considerada como importante medida na avaliação do desenvolvimento, conforme os estudos de Kant (1974), Castoriadis (1991), Adorno (1984), Paulo Freire (1986), Marilena Chauí (1990), dentre outros. Segundo, a educação do campo, que conforme os estudos de Cury (2002), Miguel Arroyo (2004), Roseli Caldart (2004) e Mônica Molina (2004), surge como crítica à realidade do sistema educacional no Brasil, particularmente à situação educacional da população brasileira que trabalha e vive no/do campo, ao modelo de sistema econômico capitalista e sua injusta distribuição de renda, ao incentivo ao agronegócio e à expropriação de terras tradicionais, à elitização do acesso à ciência, à tecnologia, à cultura e às suas produções, enfim, críticas a não universalização de direitos que garantem a plena cidadania. Terceiro, e último, o desenvolvimento comunitário rural, que se configura como um processo através do qual a comunidade amadurece em relação a si mesma, reconhece suas fragilidades e potenciais de desenvolvimento, rompe seus casulos e se transforma em novas possibilidades de ser (SILVA; ARNS, 2002). Na visão de autores como Favareto (2006), José Eli da Veiga (2005; 2006), Amartya Sen (2008), Ignacy Sachs (2000), este tipo de desenvolvimento é identificado por meio de indicadores que ultrapassam o mero crescimento econômico, levando em consideração aspectos avaliativos como acesso a oportunidades sociais, liberdades políticas e também facilidades econômicas. Assim, na pesquisa discutimos e analisamos os diversos aspectos que envolvem estas três categorias, estabelecendo as inúmeras possibilidades de relação entre elas, buscando compreender o desenvolvimento e exercício da autonomia, a partir dos contributos da educação do campo, rumo ao ‘desenvolvimento como liberdade’. A análise parte do entendimento de que não se pode alcançar o desenvolvimento à custa da privação do outro, mas a partir do reconhecimento de que o desenvolvimento é influenciado positivamente pelo acesso às oportunidades econômicas, liberdades políticas, poderes sociais e por condições habilitadoras, especialmente por meio da educação. Seja no sentido da autonomia para os sujeitos, seja na dimensão social desta, concluímos que os indicadores de desenvolvimento da comunidade estudada têm relação direta com o elevado grau de autonomia de seus moradores, uma autonomia forjada no próprio espaço de vivência, construída na práxis educativa da luta por direitos e por uma vida digna, uma autonomia utilizada a favor da coletividade.In this study we seek to understand how the rural community development indicators of the settlement of the Rural Workers Landless Movement (MST), Luis Inacio Lula da Silva, in the municipality of Santa Cruz Cabrália, Território de Identidade Costa do Descobrimento - Bahia, reflect the degree of autonomy of its residents, men and women from the field, highlighting, in this regard, the role of education in the formation of autonomous individuals. We adopt a qualitative-quantitative research as a methodological approach, with the convergence of descriptive and exploratory research, and the following data collection instruments, the questionnaire, semi-structured interviews and focus groups. As theoretical and analytical categories, we elected: First, autonomy, understood as the individual's ability to govern itself according to its own law, free and rational way, leading himself to human dignity. Can be understood as a powerful resource able to deliver individuals not only submission to heteronomous processes that interfere on their freedom of choice and action, but also the socio-economic vulnerability of frames, should be considered as an important measure in assessing the development, according to the studies of Kant (1974), Castoriadis (1991), Adorno (1984), Paulo Freire (1986), Marilena Chauí (1990), among others. Second, the rural/field education, which according to the studies of Cury (2002), Miguel Arroyo (2004), Roseli Caldart (2004) and Monica Molina (2004), appears as critical the reality of the educational system in Brazil, particularly the educational situation of the population that works and lives in the/of the field, the capitalist economic system model and its unfair distribution of income, the incentive to agribusiness and the expropriation of traditional lands, the elitization of access to science, technology, culture and their products, finally, criticism of not universal rights that guarantee full citizenship. Third, and last, rural community development, which is configured as a process through which matures community in relation to itself, recognize its weaknesses and potential for development, breaks their cocoons and turns into new possibilities of being (SILVA; ARNS , 2002). In the view of authors like Favareto (2006), José Eli da Veiga (2005; 2006), Amartya Sen (2008), Ignacy Sachs (2000), this type of development is identified through indicators that go beyond the mere economic growth, but considering evaluative aspects such as access to social opportunities, political freedoms and also economic facilities. Thus, the research discussed and analyzed the various aspects involved in these three categories, establishing the countless possibilities of relationship between them, trying to understand the development and exercise of autonomy, from rural/field education contributions, towards 'development as freedom'. The analysis begins with the understanding that you can not achieve development at the expense of deprivation of the other, but from the recognition that development is positively influenced by access to economic opportunities, political liberties, social powers and enabling conditions, especially through education. Be towards autonomy for the subjects, whether in the social dimension of this, we conclude that the studied community development indicators are directly related to the high degree of autonomy of its residents, an autonomy forged in their own living space, built in the educational praxis the struggle for rights and a dignified life, an autonomy used in favor of the community.
Description: Orientação: Geovani de Jesus Silva
URI: http://hdl.handle.net/10437/7610
Date: 2016


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Altemar Felberg ... finitiva - após defesa.pdf 2.141Mb PDF View/Open Dissertação de Mestrado

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