Adesão à medicação em utentes com multimorbilidade e polimedicação : um estudo em farmácia comunitária

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O envelhecimento da população tem conduzido a uma maior prevalência de multimorbilidade e polimedicação impondo desafios significativos aos sistemas de saúde, nomeadamente em relação à adesão à terapêutica. A presente investigação teve como objetivo avaliar os níveis de adesão à medicação numa população com mais de 55 anos, em contexto de farmácia comunitária, analisando a sua relação com variáveis sociodemográficas e clínicas. Tratou-se de um estudo observacional, transversal, com recurso à Escala de Adesão à Medicação de Morisky (MMAS-8), aplicado a 153 utentes. Os resultados revelaram que 54% dos participantes apresentaram alta adesão, 33% adesão moderada e 13% baixa adesão. A maioria dos participantes era do sexo feminino (56,2%), reformados (91,5%) e residente em meio urbano (83,7%). Observou se uma elevada prevalência de doenças crónicas, sendo as mais comuns a hipertensão arterial (70,6%), o colesterol elevado (43,8%) e a diabetes (32,7%). Mais de metade da amostra (52,3%) apresentava polimedicação (toma de 5 ou mais medicamentos). Embora não se tenham encontrado associações estatisticamente significativas entre a adesão e a escolaridade, idade ou número de medicamentos, observou-se uma associação significativa entre o género e a adesão (p=0,0208), com as mulheres a apresentarem maior prevalência de baixa adesão. Esta tendência poderá refletir desigualdades no acesso à informação, carga de responsabilidades e impacto da complexidade terapêutica. A investigação reforça a importância de abordagens integradas e centradas no utente, adaptadas às necessidades das populações idosas e polimedicadas. Recomenda-se o reforço de intervenções farmacêuticas em contexto comunitário, programas de literacia em saúde e estratégias de apoio à gestão terapêutica. Estudos longitudinais e interdisciplinares serão essenciais para aprofundar a compreensão dos fatores que influenciam a adesão e sustentar políticas públicas eficazes e equitativas.
The ageing of the population has led to an increased prevalence of multimorbidity and polypharmacy, posing significant challenges to healthcare systems, particularly regarding medication adherence. This study aimed to assess the levels of medication adherence among individuals over the age of 55 in a community pharmacy setting, analysing its association with sociodemographic and clinical variables. It was a cross sectional observational study using the 8-item Morisky Medication Adherence Scale (MMAS-8), applied to a sample of 153 patients. The results showed that 54% of participants demonstrated high adherence, 33% moderate adherence, and 13% low adherence. The majority of participants were female (56.2%), retired (91.5%), and living in urban areas (83.7%). There was a high prevalence of chronic conditions, with hypertension (70.6%), hypercholesterolemia (43.8%), and diabetes (32.7%) being the most commonly reported. More than half of the sample (52.3%) met the criteria for polypharmacy (use of five or more medications). Although no statistically significant associations were found between adherence and variables such as education level, age, or number of medications, a significant association was observed between gender and adherence (p = 0.0208), with women showing a higher prevalence of low adherence. This trend may reflect disparities in access to health information, the burden of caregiving responsibilities, and the complexity of therapeutic regimens. This research highlights the importance of integrated, patient-centred approaches tailored to the needs of older, polymedicated populations. It underscores the need to strengthen pharmaceutical interventions in community settings, promote health literacy, and support therapeutic management strategies. Longitudinal and interdisciplinary studies will be essential to further understand the determinants of adherence and to inform effective and equitable public health policies.

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