Perturbação de hiperatividade e défice de atenção : estudo em farmácias comunitárias sobre adesão terapêutica e qualidade de vida

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A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é uma condição neuropsiquiátrica prevalente, com início geralmente na infância, mas que pode persistir até à idade adulta. O tratamento farmacológico, frequentemente baseado em psicoestimulantes, tem demonstrado eficácia na gestão dos sintomas. Contudo, a adesão à terapêutica, os efeitos adversos e o acompanhamento clínico permanecem pouco explorados em contexto de farmácia comunitária. Foi realizado um estudo observacional de caráter transversal, com aplicação de um questionário a utentes de três farmácias comunitárias em diferentes regiões de Portugal. Recolheram-se dados sobre características sociodemográficas, perfil de prescrição, adesão à medicação, perceção de eficácia, efeitos secundários e acesso a psicoterapia. Paralelamente, procedeu-se à análise ecológica das vendas de medicamentos para PHDA (metilfenidato, lisdexanfetamina e atomoxetina), entre 2018 e 2024, em três farmácias. A maioria dos participantes era do sexo masculino e iniciou tratamento na infância ou adolescência. O metilfenidato e a lisdexanfetamina foram os medicamentos mais utilizados, com aumento acentuado do consumo após a pandemia de COVID-19. Verificou-se que, apesar da perceção positiva da eficácia terapêutica, os efeitos secundários, as pausas na medicação (“drug holidays”) e a interrupção sem supervisão médica foram práticas relatadas. A maioria dos utentes tem acompanhamento médico anual, e uma parte significativa também recorre a apoio psicoterapêutico. Os dados revelam uma adesão globalmente positiva, mas condicionada por perceções individuais, preocupações com efeitos adversos e diferentes práticas de uso. O acompanhamento clínico regular e o acesso a terapias complementares revelam-se determinantes para a gestão eficaz da PHDA, especialmente face à tendência crescente de prescrição em adolescentes e adultos. Este estudo contribui para uma melhor compreensão dos padrões de utilização de medicamentos para a PHDA em Portugal, evidenciando a importância de uma abordagem terapêutica individualizada, que combine farmacoterapia com estratégias psicossociais. Os resultados reforçam o papel das farmácias comunitárias como ponto estratégico de monitorização, educação e apoio na gestão desta perturbação.
Attention Deficit Hyperactivity Disorder (ADHD) is a prevalent neuropsychiatric condition, usually beginning in childhood but which can persist into adulthood. Pharmacological treatment, often based on psychostimulants, has proved effective in managing symptoms. However, adherence to therapy, adverse effects and clinical follow up remain little explored in a community pharmacy setting. A cross-sectional observational study was carried out with a questionnaire administered to users of four community pharmacies in different regions of Portugal. Data was collected on sociodemographic characteristics, prescription profile, medication adherence, perceived efficacy, side effects and access to psychotherapy. At the same time, an ecological analysis of sales of ADHD medication (methylphenidate, lisdexamfetamine and atomoxetine) between 2018 and 2024 was carried out in three pharmacies. The majority of participants were male and started treatment in childhood or adolescence. Methylphenidate and lisdexamfetamine were the most used drugs, with a sharp increase in consumption after the COVID-19 pandemic. Despite the positive perception of therapeutic efficacy, side effects, drug holidays and discontinuation without medical supervision were reported. Most users have annual medical follow-up, and a significant proportion also use psychotherapeutic support. The data reveals an overall positive adherence, but conditioned by individual perceptions, concerns about adverse effects and different use practices. Regular clinical follow-up and access to complementary therapies are crucial for the effective management of ADHD, especially given the growing trend of prescriptions in adolescents and adults. This study contributes to a better understanding of the patterns of medication use for ADHD in Portugal, highlighting the importance of an individualized therapeutic approach that combines pharmacotherapy with psychosocial strategies. The results reinforce the role of community pharmacies as a strategic point of monitoring, education and support in the management of this disorder.

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