Práticas de envolvimento das famílias em acolhimento residencial : a perspetiva dos profissionais

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Resumo

A literatura tem demonstrado que o envolvimento das famílias na vida das crianças e jovens em acolhimento residencial é um fator importante no seu desenvolvimento, no entanto, a investigação em Portugal não tem explorado de forma consistente e sistemática os fatores associados ao envolvimento das famílias neste contexto. Assim, o objetivo deste estudo é explorar as práticas das casas de acolhimento residencial no envolvimento e promoção da participação das famílias a partir da perspetiva dos profissionais. Os dados foram recolhidos online, através de um questionário de resposta aberta, preenchido por 29 profissionais de casas de acolhimento residencial do tipo generalista, maioritariamente do sexo feminino (96.6%), com idades compreendidas entre os 24 anos e os 58 anos. Os principais resultados indicam que a participação das famílias na vida das crianças e jovens em acolhimento acontece maioritariamente através de contactos entre a criança e a família, nomeadamente visitas. Os profissionais nas casas de acolhimento promovem esta participação maioritariamente através do envolvimento da família no dia-a-dia da criança (e.g., promoção de contactos) e no processo de promoção e proteção (e.g., partilha de informação). De um modo geral, os profissionais referem reações positivas das crianças e jovens à participação das suas famílias, mas consideram existir várias barreiras, nomeadamente ao nível das famílias (e.g., desresponsabilização). Todavia, referem fatores facilitadores da participação, principalmente ao nível da organização (e.g., cultura organizacional) e dos profissionais (e.g., disponibilidade e abertura). Os profissionais realçam ainda necessidades de mudança no que diz respeito, sobretudo, à intervenção realizada com as famílias (e.g., intervenção mais frequente) e à estrutura e funcionamento das casas de acolhimento (e.g., de natureza mais familiar). Estes resultados informam os modelos de prática do acolhimento residencial e fornecem pistas para investigação futura.
The literature revealed that family involvement in the lives of children and youth in residential care is a crucial factor to their development. However, research in Portugal has not consistently and systematically explored the factors associated with family involvement in this context. Therefore, the aim of this study is to explore residential care practices to engage and promote family participation from the perspective of professionals. Data were collected online through an open-ended questionnaire completed by 29 professionals from generalist residential care homes, mostly female (96.6%), aged between 24 and 58 years. The main results suggest that the participation of families in the child’s lives in residential care takes place mainly through contacts between the child and the family, namely visits. Professionals in residential care promote family participation mostly by involving them in the child's day-to-day life (e.g., promoting contacts) and in the child protection case (e.g., sharing information). Professionals reported mostly positive reactions from children and young people to the participation of their families, but also have identified several barriers, particularly at family level (e.g. lack of responsibility). However, participants mentioned facilitators of family participation, mainly at the organizational level (e.g. organizational culture) and the professionals (e.g. availability and openness). Finally, professionals also emphasized the need for more interventions carried out with families (e.g. more frequent) and the structure and functioning of residential homes (e.g. more familiar). These results inform models of residential care practice and provide avenues for future research.

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