A vitimação secundária em contexto de abuso sexual na adolescência : adaptação e validação da Escala de Vitimação Secundária

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O presente estudo teve como objetivo adaptar e validar a Escala de Vitimação Secundária para o contexto do abuso sexual na adolescência em Portugal. Participaram neste estudo 275 adultos (Midade = 45.00; DP = 17.89), predominantemente mulheres (81%). Os participantes preencheram um conjunto de questionários de auto-relato centrados nas características sociodemográficas, nos mitos sobre o abuso sexual, na dominância social, na empatia, e a escala de vitimação secundária na sequência da leitura de um caso hipotético. Os resultados da análise fatorial confirmaram a estrutura tridimensional da Escala de Vitimação Secundária (i.e., minimização do sofrimento da vítima, culpabilização da vítima e evitamento da vítima), tendo sido obtida uma consistência interna adequada para todos estes fatores (? > .70). Associações positivas foram encontradas entre a vitimação secundária e a aceitação de mitos sobre abuso sexual e a orientação para a dominância social (ODS), e negativas com a empatia. Os homens apresentaram níveis mais elevados de minimização do sofrimento e de culpabilização da vítima em comparação com as mulheres. Não foram encontradas diferenças significativas em nenhuma dimensão da vitimação secundária entre participantes com e sem experiência de violência sexual na infância. Os resultados do presente estudo sublinham a importância de providenciar evidências de validade e fidelidade de escalas que permitam o desenvolvimento de investigação acerca dos processos explicativos da vitimação secundária no contexto do abuso sexual.
The present study aimed to adapt and validate the Secondary Victimization Scale for the context of sexual abuse in adolescence in Portugal. 275 adults (M age = 45.00; SD = 17.89) participated in this study, predominantly women (81%). Participants completed a set of self-report questionnaires focusing on sociodemographic characteristics, myths about sexual abuse, social dominance, empathy, and the secondary victimization scale following reading a hypothetical case. The results of the factor analysis confirmed the three-dimensional structure of the Secondary Victimization Scale (i.e., minimizing the victim's suffering, blaming the victim and avoiding the victim), with an adequate reliability obtained for all the dimensions (α > .70). Positive associations were found between secondary victimization and acceptance of myths about sexual abuse and social dominance orientation (SDO), and negative associations with empathy. Men showed higher levels of minimizing suffering and blaming the victim compared to women. No significant differences were found in any dimension of secondary victimization between participants with and without experience of sexual violence in childhood. The results of the present study highlight the importance of providing evidence of validity and fidelity of scales that allow the development of research into the explanatory processes of secondary victimization in the context of sexual abuse.

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