Os territórios das memórias candangas : remoções urbanas, territorialidades periféricas e imaginações museais no Distrito Federal, Brasil

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Esta tese investiga os sentidos atribuídos às memórias dos trabalhadores e trabalhadoras migrantes que construíram a capital do Brasil, Brasília, conhecidos/as como 'candangos/as', elaborados em processos de musealização participativos e comunitários nos territórios do Distrito Federal. Parte-se da hipótese de que as memórias candangas que embasam subjetividades periféricas no Distrito Federal são profundamente marcadas pelas memórias das lutas por moradia, uma vez que muitos desses territórios, popularmente conhecidos como 'cidades-satélites', têm suas origens nas remoções e na fixação de ocupações candangas presentes na área central de Brasília. A partir da década de 1990, processos sociomuseais desenvolvidos nesses territórios provocaram outras leituras da narrativa histórica consolidada sobre a capital, problematizando os apagamentos produzidos pela memória institucionalizada. Entre esses processos, a pesquisa foca no Museu Vivo da Memória Candanga, na Casa da Memória Viva da Ceilândia e no Museu Vivo da Memória da Vila Paranoá. Esta tese, de abordagem qualitativa, fundamenta-se em referenciais teóricos dos estudos críticos pós coloniais e decoloniais, combinando pesquisa e análise documental, bibliográfica, videográfica e hemerográfica sobre os temas, com entrevistas semiestruturadas. Objetivou-se identificar e analisar, nas novas imaginações museais que, a partir dos territórios do Distrito Federal, exercem o direito à memória e o desejo de museu, as agendas de representatividade que conformam as memórias candangas mobilizadas em processos de musealização locais. Concluiu-se que as memórias candangas, além de evocarem as memórias do trabalho e da migração, se definem notadamente pelas memórias das lutas por moradia, territorializadas em outras realidades sociourbanas do Distrito Federal, além da capital, Brasília.
This thesis investigates the meanings attributed to the memories of migrant workers who built the capital of Brazil, Brasília, known as/as 'candangos/as', processes of participatory and community musealization in the territories of the Federal District. It is assumed that the candangas memories that support peripheral subjectivities in the Federal District are deeply marked by the memories of the struggles for housing, since many of these territories, popularly known as 'satellite cities', have their origins in the fixation and removals of occupations candangas present in the central area of Brasilia. From the 1990s, sociomuseal processes developed in these territories provoked other readings of the historical process, problematizing the erasures produced by institutionalized memory. Among these processes, the research focuses on the Museu Vivo da Memória Candanga, Casa da Memória Viva da Ceilândia and the Museu Vivo da Memória da Vila Paranoá. This thesis, with a qualitative approach, is based on theoretical references of critical post-colonial and decolonial studies, combining research and documentary analysis, bibliographic, videographic and hemerographical on the themes, followed by semi-structured interviews with people involved in these processes. We propose to identify, in the new museum imaginations that, from the territories of the Federal District, exercise the right to memory and the desire for museums, the agendas of representativeness that conform the candangas memories. We conclude that these memories, in addition to evoking the memories of work, are also memories of housing struggles, territorialized in other socio-urban realities of the Federal District, besides the federal capital.

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