A qualidade da experiência subjetiva : o papel dos fatores hedónicos na relação motivacional para a prática de exercício

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Resumo

A inatividade física é um dos principais desafios de saúde pública. Associar o exercício a experiências prazerosas pode ser essencial para uma prática sustentável. Esta tese tem como objetivo principal analisar e compreender de que forma a manipulação da intensidade do exercício físico se manifesta em variáveis motivacionais e comportamentais, em praticantes de exercício físico em centros de fitness. Para isso, foram conduzidos três estudos principais: um quase-experimental, uma revisão sistemática e um ensaio randomizado controlado. O primeiro estudo analisou o momento ideal para avaliar a resposta afetiva, no treino de resistência. Os resultados mostraram que não há diferenças significativas entre medições feitas durante a série e imediatamente após a sua conclusão, indicando que a avaliação pós-série será adequada. O segundo estudo comparou os efeitos da prescrição autoselecionada e imposta da intensidade do exercício nos resultados afetivos, cognitivos e comportamentais. Os resultados sugerem que permitir que os praticantes escolham a intensidade promove respostas afetivas mais positivas, maior prazer e divertimento, além de outros benefícios como o aumento da autonomia e autoeficácia. Essa abordagem favorece também uma maior duração do exercício, e uma intenção reforçada de manter a prática. O terceiro estudo avaliou experimentalmente duas estratégias de prescrição do exercício em variáveis motivacionais. Ambas apresentaram efeitos positivos ao longo do tempo, sem diferenças significativas entre os grupos, sugerindo que o aumento da frequência de exercício pode ocorrer independentemente dos constructos motivacionais analisados. Conclui-se que a prescrição de exercício mais eficaz, ou o melhor aconselhamento para a prática é sempre aquele que se adapta às preferências, capacidades e contextos da pessoa, promovendo o prazer e a autonomia como condições essenciais para intervenções sustentáveis, e motivação intrínseca a longo prazo.
Physical inactivity is one of the major public health challenges. Associating exercise with pleasurable experiences may be essential for sustainable practice. The main objective of this thesis is to analyse and understand how the manipulation of exercise intensity influences motivational and behavioural variables in individuals engaging in physical activity at fitness centres. To this end, three main studies were conducted: a quasi-experimental study, a systematic review, and a randomised controlled trial. The first study analysed the ideal moment to assess affective response during resistance training. The results showed no significant differences between measurements taken during the set and those taken immediately after its completion, indicating that post-set assessment is appropriate. The second study compared the effects of self-selected versus imposed exercise intensity on affective, cognitive, and behavioural outcomes. The results suggest that allowing individuals to choose the intensity leads to more positive affective responses, greater pleasure and enjoyment, as well as additional benefits such as increased autonomy and self-efficacy. This approach also supports longer exercise duration and a stronger intention to maintain regular practice. The third study experimentally assessed two exercise prescription strategies in relation to motivational variables. Both strategies showed positive effects over time, with no significant differences between groups, suggesting that an increase in exercise frequency may occur regardless of the motivational constructs analysed. It is concluded that the most effective exercise prescription, or the best guidance for physical activity, is always the one that aligns with the individual's preferences, abilities, and context, promoting pleasure and autonomy as essential conditions for sustainable interventions and long-term intrinsic motivation.

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