Variabilidade da frequência cardíaca, carga de treino e competição : um estudo de caso em atletas de elite de meio-fundo e fundo

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O objetivo deste estudo passa por observar as alterações da Variabilidade da Frequência Cardíaca (VFC) ao longo da época de inverno em atletas de elite de meio-fundo e fundo, bem como verificar se existe alguma relação entre a VFC e a carga de treino (CT), índices psicométricos e a prontidão para competir. Este estudo de caso monitorizou diariamente a VFC e a CT e monitorizou semanalmente os índices psicométricos de stress e recuperação de três atletas de elite (um atleta masculino de fundo: 25 anos, Consumo Máximo de Oxigénio (V?O2max): 72.1 ml.kg-1.min-1, um atleta masculino de meio-fundo: 20 anos de idade, V?O2max: 66,9 ml.kg-1.min-1 e uma atleta feminina de meio-fundo: 20 anos de idade, V?O2max: 51,4 ml.kg-1.min-1) durante um período de 153 dias da época desportiva de 2024/2025. Foi evidenciado que em atletas de elite as dinâmicas e respostas da VFC às variáveis da CT e Índices Psicométricos são variáveis e devem ser interpretadas de forma individualizada, não permitindo generalizações nestes tipos de atletas. Adicionalmente, embora se tenha evidenciado diminuições pré-competição dos valores da VFC, não foi evidenciado estados de Overreaching Não-Funcional (NFOR), nem de maus desempenhos. A utilização da VFC para verificar a prontidão para competir dos atletas reforça a importância da utilização de uma abordagem, ao nível da interpretação dos dados, integradora e contextual. Por fim, a VFC apresenta uma correlação negativa estatisticamente relevante com o Training Impulse (TRIMP), uma correlação positiva estatisticamente significativa com o Índice Recuperação e as variáveis associadas ao carácter subjetivo da recuperação dos atletas explica uma maior variação da VFC, reforçando assim a ideia de que a VFC é uma variável influenciada pela carga externa do treino, mas que está associada à carga interna do treino e permite inferir sobre o estado de recuperação dos atletas.
The aim of this study is to observe changes in Heart Rate Variability (HRV) throughout the winter season in elite middle-distance and long-distance athletes, as well as to verify whether there is any relationship between HRV and training load, psychometric indices, and readiness to compete. This case study monitored HRV and training load daily and monitored psychometric indices of stress and recovery weekly in three elite athletes (one male long-distance athlete: 25 years old, Maximum Oxygen Consumption (V̇O2max): 72.1 ml.kg-1.min-1, one male middle-distance athlete: 20 years old, V̇O2max: 66.9 ml.kg-1.min-1, and a female middle-distance athlete: 20 years old, V̇O2max: 51.4 ml.kg-1.min-1) during a period of 153 days of the 2024/2025 sports season. It was shown that in elite athletes, HRV dynamics and responses to training load variables and psychometric indices are variable and should be interpreted individually, not allowing generalisations in this type of athletes. Additionally, although pre-competition decreases in HRV values were observed, no states of Non-Functional Overreaching (NFOR) or poor performance were observed. The use of HRV to assess athletes' readiness to compete reinforces the importance of using an integrative and contextual approach to data interpretation. Finally, HRV shows a statistically significant negative correlation with Training Impulse (TRIMP), a statistically significant positive correlation with the Recovery Index, and variables associated with the subjective nature of athletes' recovery explain greater HRV variation, thus reinforcing the idea that HRV is a variable influenced by external training load, but that it is associated with internal training load and allows inferences to be made about athletes' recovery status.

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