Revista Lusófona de Ciência das Religiões Ano XII, nº 18/19 (2013)
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Item Igreja Evangélica Assembleia de Deus : movimento, continuidade e mudanças(Edições Universitárias Lusófonas, 2013) Meneses, Jonatas Silva; Faculdade de Ciências Sociais, Educação e AdministraçãoO presente artigo realça a Igreja Evangélica Assembleia de Deus e os seus diversos ministérios no interior do campo religioso brasileiro, considerando as principais mudanças ocorridas ao longo dos seus cem anos de existência. As capitais mutações aqui focadas foram as seguintes: mudanças em relação ao uso e evidência dos dons carismáticos; mudanças nos usos e costumes, antes recatados e excludentes, mas que, nas duas últimas décadas, têm se modificado em total adequação aos modelos da modernidade;mudanças nas práticas políticas no universo da prática partidária, agora bem mais flexível. Conclui-se, nesse artigo, pela importância da instituição e a permanente adequação das suas práticas aos princípios da modernidade na sociedade brasileira.Item Natal 2006 : Deus adveniens(Edições Universitárias Lusófonas, 2013) Mourão, José Augusto; Faculdade de Ciências Sociais, Educação e AdministraçãoItem Crenças angelológicas no Cristianismo primitivo : reflexões à luz do livro : I Enoque(Edições Universitárias Lusófonas, 2013) Guimarães, Filipe de Oliveira; Faculdade de Ciências Sociais, Educação e AdministraçãoO livro pseudo epígrafe de I Enoque é de importância ímpar quando se busca a compreensão da epistemologia do cristianismo na sua história primitiva. O escrito, diferente da compreensão popular do mito diluviano, descreve o dilúvio como um acontecimento gerado pela corrupção de seres angelicais, seres humanos e dos descendentes homo-angelicais conhecidos como Nephilins. A pesquisa buscou trazer a tona algumas crenças cristãs acerca dos primórdios da humanidade que foram esquecidas na história por vários séculos. Este descortinar é importante na medida em que dilata o arcabouço da compreensão das crenças cristãs na história, ampliando o conhecimento da mentalidade do cristã em seu primórdio, que é fruto da hermenêuticade seus líderes em diálogo com o livro de I Enoque.Item Yorubás e Malês : conflito e aliança no Brasil escravocrata(Edições Universitárias Lusófonas, 2013) Ribeiro, Lidice Meyer Pinto; Faculdade de Ciências Sociais, Educação e AdministraçãoNo período escravocrata brasileiro, diversas etnias africanas foram trazidas indiscriminadamente para o país. Dentre estas, algumas apresentavam já em solo africano sinais de rivalidade política, social e religiosa. Este é o caso das nações Yorubás e Malês, que foram as mais representativas em solo brasileiro. Este trabalho tem como objetivo verificar como, apesar das diferenças, estas duas nações superaram as distâncias que as separavam e se juntaram em prol de uma luta em comum: a conquistada liberdade. Através de diversos autores historiadores e antropólogos, procura-se resgatar os encontros e desencontros das duas religiosidades representadas por estas nações: o candomblé e o islamismo.Item As fontes dos messianismos na literatura luso brasileira(Edições Universitárias Lusófonas, 2013) Gomes, Antônio Máspoli de Araújo; Faculdade de Ciências Sociais, Educação e AdministraçãoO messianismo tem sido estudado no Brasil a partir da variável econômica sem considerar as fontes literárias e religiosas. À semelhança de Maria Isaura Pereira de Queiroz, Rui Facó explica as origens dos movimentos messiânicos brasileiros considerando apenas a variável econômica e as condições sociais dos seus adeptos. Esta pesquisa partiu da premissa de que a variável econômica, embora relevante por si só, não seja suficiente para explicar a complexidade desses movimentos que têm suas raízes na alma religiosa e mítica, e na literatura do povo português e brasileiro. A partir dessas contribuições, esta pesquisa analisou as fontes dos messianismos na literatura lusobrasileira e traçou a sua árvore genealógica, mormente, no Brasil. a pesquisa sugere que grande parte das fontes dos messianismos encontra-se na literatura religiosa luso-brasileira! A estrutura complexa do messianismo amplia o espaço caudal de fontes onde se devem buscar suas origens. No Brasil e em Portugal, o manancial de fontes messiânicas é igualmente imenso: o Judaísmo antigo, no Velho Testamento; o Cristianismo Primitivo, no Novo testamento; o Mito indígena, na terra sem Males; o Catolicismo ultramontano; as contribuições de Joaquim de Fiore e de Gonçaloanes, o Bandarra; o Sebastianismo; o sonho escatológico do Padre Antônio Vieira;o catolicismo popular da Missão abreviada; a obra piedosa do Padre Ibiapina; etc.Item Portugal e a história do futuro do mundo no pensamento utópico do Padre António Vieira(Edições Universitárias Lusófonas, 2013) Franco, José Eduardo; Faculdade de Ciências Sociais, Educação e AdministraçãoEste nosso breve estudo pretende analisar a ideia messiânica de Portugal patenteada na reflexão identitária e utópica do Padre António Vieira. Destacaremos os principais textos e ideotemas do grande pregador jesuíta onde são cinzeladas visões de Portugal e do futuro da europa e do mundo, de modo a ensaiarmos a compreensão do seu significado no contexto da sua produção retórica e tendo em conta as preocupações nacionalizantes e/ou religiosas que estão na base do discurso em torno do continente em que o seu país se situava e onde estava situada a sede temporal da sua igreja. Portanto, a compreensão da ideia de Portugal em vieira será umbilicalmente interligada com o seu ideário católico fundamental, isto é, com a sua eclesiologia, e coma sua afeção nacionalizante, ou seja, com a sua lusitanologia.Item Francisco de Holanda e a teoria da arte pós-conciliar(Edições Universitárias Lusófonas, 2013) Lousa, Teresa; Faculdade de Ciências Sociais, Educação e AdministraçãoFrancisco de Holanda é um artista e teórico de arte português que viveu num período difícil de definir, entre o Renascimento e o Maneirismo, marcado por inúmeras contradições e mudanças que se reflectirão na sua obra artística e teórica. As consequências do Concílio de Trento deixarão a sua marca na produção artística em geral e na obra de Francisco de Holanda em particular, sobretudo na fase mais madura e tardia da sua actividade, pautada por valores contemplativos, ascéticos e religiosos.Item Freud, Jung e a religião : embates e diálogos entre ciência e religião nos clássicos da psicanálise(Edições Universitárias Lusófonas, 2013) Rodrigues, Marcel Henrique; Groppo, Luís António; Faculdade de Ciências Sociais, Educação e AdministraçãoO artigo analisa o debate ciência e religião no interior da psicanálise, destacando algumas obras de Freud e Jung, grandes clássicos do pensamento psicanalítico. A investigação que deu origem ao texto tinha como objetivo o estudo da história deste debate no início da psicanálise, ponderando sobre as teorias dos dois citados estudiosos. A pesquisa se fundamentou em um levantamento bibliográfico das obras de Freud e Jung, bem como de comentadores, como Peter Gay e Michael Palmer. Destaca-se a relação entre a concepção sobre a religião de cada autor, Freud e Jung, com suas histórias de vida e experiências na comunidade científica anteriores à psicanálise. Freud, apesar de sua família, que cultivava algumas tradições culturais judaicas, trouxe à psicanálise sua formação universitária em tempos de cientificismo avesso à religião. Jung, cujo pai era pastor protestante, foi muito marcado por experiências algo místicas de alguns de seus pacientes. A teoria do Complexo de édipo de Freud explica sua concepção de religião como momento menor da humanização, como expõe em«totem e tabu». Jung constrói sua teoria da individuação e do inconsciente coletivo,considerando a religiosidade e seu simbolismo como possíveis caminhos para a evolução dos sujeitos.Item Em busca do touro Ápis pelos caminhos da mitologia do antigo Egipto(Edições Universitárias Lusófonas, 2013) Sales, José das Candeias; Faculdade de Ciências Sociais, Educação e AdministraçãoOs antigos egípcios acreditavam que o touro poderoso representava a personalidade do próprio faraó. O touro estava, de facto, intimamente associado ao estado faraónico desde o início da história egípcia. Na mitologia egípcia, de todos os touros sagrados o que maior projecção alcançou, como deus agrário da fecundidade, da vegetação renascida e da ressurreição, foi, seguramente, o touro Ápis, associado em Mênfis aos deuses Ptah e Osíris. Na sua condição de touro ágil, vigoroso e viril, Ápis era um intermediário consistente entre o mundo dos vivos e o dos mortos, além de ser um propiciador de fertilidade e renascimento quando associado ao deus-sol.Item O conceito de justiça social no profeta Amós : uma leitura teológica cristã(Edições Universitárias Lusófonas, 2013) Catarino, Fernando; Faculdade de Ciências Sociais, Educação e AdministraçãoO artigo fala-nos do Profeta amós, um profeta pouco estudado mas com uma mensagem profundamente atual no contexto de crise que atualmente aflige Portugal. uma mensagem que ganha atualidade e que é dona de uma pertinência e assertividade arrebatadoras. A doutrina de Amós, será, mais tarde, recuperada pelo próprio Jesus Cristo.Item Fundamentalismo protestante e pentecostalismo : distanciamento e proximidade(Edições Universitárias Lusófonas, 2013) Carvalho, Osiel Lourenço de; Faculdade de Ciências Sociais, Educação e AdministraçãoEnquanto os fundamentalistas consideravam os dogmas a base do cristianismo, os pentecostais não se preocupavam com doutrinas. Para eles a essência cristã estaria além da dogmática, pois o encontro com Deus seria intermediado não pelo texto bíblico, mas sim pela experiência com o Espírito Santo; além disso, não se explicaria a realidade pelos conceitos e pela razão. Para os pentecostais “O espírito intercede pornós com gemidos inexprimíveis”, desse modo Deus excedia a linguagem racional. O presente artigo pretende descrever a origem do fundamentalismo e do pentecostalismo, de modo a estabelecer as possíveis relações entre esses dois movimentos. A metodologia empregada consistiu em pesquisa bibliográfica a respeito do tema. Algumas de nossas conclusões são de que no início do século XX fundamentalismo protestante e pentecostalismo possuíam mais distanciamentos do que proximidades.Item Os «Funcionários de Deus» : a vocação religiosa a partir da Psicologia profunda de Eugen Drewermann(Edições Universitárias Lusófonas, 2013) Almeida, Tatiene Ciribelli Santos; Faculdade de Ciências Sociais, Educação e AdministraçãoA igreja Católica Apostólica Romana entende a vocação para a vida religiosa (como no caso de padres, freiras, irmãos consagrados) como um chamado específico somente para alguns homens e mulheres especiais. Esta vocação é fundamentada pela existênciade três votos obrigatórios: a pobreza, a obediência e a castidade. Aqueles que são chamados para esta função são compreendidos como especiais a partir de Deus. Porém, Eugen Drewermann, em sua obra Funcionários de Deus, problematiza este modelo ideal. A partir da Psicologia Profunda, ele busca entender os motivos psicológicos inconscientes que levam um jovem a buscar como opção de vida a vocação religiosa. Partindo das constatações feitas pelo autor, o objetivo desta pesquisa é analisar algumas questões, como os motivos que levam um jovem a buscar como ideal de vida a opção pelo sacerdócio na Igreja Católica, quais aspectos psicológicos interferem nesta escolha, como se sente quem se julga chamado, verificar o seu entendimento a respeito dos três conselhos evangélicos e discutir as propostas feitas à Igreja Católica para que os conflitos vivenciados pelos «eleitos» sejam minimizados.Item A dinâmica positiva da secularidade como fundamento ético-religioso da ordem social que visa o bem comum e a felicidade privada(Edições Universitárias Lusófonas, 2013) Dimas, Samuel; Faculdade de Ciências Sociais, Educação e AdministraçãoAo dinamismo negativo da secularização opõe-se o dinamismo positivo da secularidade, enquanto movimento social de separação entre o poder temporal e político e o poder espiritual e religioso. A tolerância religiosa e política da democracia ocidental desenvolve-se neste princípio evangélico judaico-cristão. Um princípio que foi esquecido no império da Cristandade e que foi corrompido pela revolução das luzes,mas que foi recuperado na ordem social contemporânea dos estados de Direito. A fundamentação ética da ordem política democrática atual assenta nesta ideia de que as religiões são concretizações históricas e relativas da universal e absoluta verdade divina.Item Os deuses, os reis e a estatuária real no império neo-assírio(Edições Universitárias Lusófonas, 2013) Monte, Marcel L. Paiva do; Groppo, Luís; Faculdade de Ciências Sociais, Educação e AdministraçãoAs estátuas reais assírias são um exemplo da primazia da imagem régia. O alto investimento material e artístico a elas alocado servia para construir a representação do rei como único referente. Exerciam uma função liminar no discurso político-ideológico pois, referindo-se a seres humanos, muitas ocupavam, contudo, espaços sacralizados no interior dos templos. a sua função e contexto distinguiam-nas de outras expressões discursivas do poder, como os grandes conjuntos de relevos palacianos ou as estelas.Item A questão da viabilidade de Portugal na obra de Fialho de Almeida : figuras estereotípicas como ícones de decadência(Edições Universitárias Lusófonas, 2013) Franco, José Eduardo; Santos, Fernanda; Faculdade de Ciências Sociais, Educação e AdministraçãoO artigo pretende apresentar uma proposta de análise da obra de Fialho de Almeida, tendo por escopo destacar hermeneuticamente a sua função de crítica social. As mentalidades, os comportamentos, as figuras e classes sociais são tratadas na literatura fialhiana como tipos e como expressão de um tempo que é lido à luz do mito da decadência portuguesa que, no final do século XIX e princípios do século XX, conheceu o seu auge, tendo modelado uma visão do passado e questionado fortemente a viabilidade de Portugal como país capaz de garantir uma existência autónoma no curso da história da humanidade.Item António Vieira, nosso contemporâneo : depoimento por ocasião do início da publicação da Obra Completa(Edições Universitárias Lusófonas, 2013) Marques, Viriato Soromenho; Faculdade de Ciências Sociais, Educação e AdministraçãoItem Experiência mística ou loucura? : uma distinção sociocultural?(Edições Universitárias Lusófonas, 2013) Assis, Denise de; Faculdade de Ciências Sociais, Educação e AdministraçãoEm 1989, o psicanalista indiano Sudhir Kakar, enquanto preparava um ciclo de conferências para a universidade de Chicago, ao comentar incidentalmente sobre seu trabalho a respeito do grande místico Ramakrishna, chamou a atenção da filósofa francesa Catherine Clément, ao descrever seus sintomas. O livro de Pierre Janet (De l’angoisseà l’extase), que Catherine tinha em sua biblioteca, narrava a história da “louca” Madeleine, paciente de Janet por vinte anos, que apresentava fenômenos muito semelhantes aos do mestre indiano: êxtases, sintomas orgânicos e hábitos místicos. Havia apenas uma única diferença e que se constituía como viga mestra entre ambos:enquanto o místico vivia em Calcutá, a doente francesa foi hospitalizada durante longos anos no hospital da Salpetrière, por delírio místico. Este artigo é baseado no livro A louca e o santo e tem por objetivo demonstrar o quanto a cultura influencia no diagnóstico com base em fenômenos relacionados a estados alterados de consciência.Item Multiplicidade religiosa : paradoxo ou convergência?(Edições Universitárias Lusófonas, 2013) Cyrous, Sam Hadji; Faculdade de Ciências Sociais, Educação e AdministraçãoAo longo dos séculos de evolução humana, a religião tem acompanhado à humanidade nesse processo, trazendo educação e permitindo resolver problemas existentes das populações, aumentando o conhecimento: esse foi o caso de Moisés que institui na Torá regras básicas de relacionamentos, de Zoroastro que estabeleceu no Avesta o caminho para a primeira declaração de direitos humanos, ou Maomé que uniu os nômades árabes através dos preceitos do Alcorão. Considera-se portanto que a religião tem como característica fundamental não só re-ligar o humano ao transcendente, como re-ligar o humano a si mesmo e aos demais humanos. O propósito deste ensaio é, assim, com base em autores da Psicologia e da História, analisar a aparente multiplicidade das religiões, procurando estabelecer pontos transversais e comuns a elas.Item O conceito de símbolo em Tillich e Jung(Edições Universitárias Lusófonas, 2013) Portela, Bruno de O. S. Portela; Faculdade de Ciências Sociais, Educação e AdministraçãoO presente estudo tem o intuito de investigar o conceito de símbolo nas considerações teológicas de Paul Tillich e na Psicologia analítica de Carl Gustav Jung, colocando em evidencia as consagradas obras nas quais esses autores fazem referência ao tema. Assim, é importante delimitar algumas distinções, como os conceitos de sinal e símbolo e sua relação com os tipos de pensamento dirigido e fantasia. Outro fator importante de ser observado consiste na característica do símbolo como parte fundamental da comunicação com as esferas transcendentes e numinosas. Deste modo, objetiva-se colocar em evidência as principais ideias dos autores, estabelecendo os possíveis paralelos entre a teologia, psicologia e a ligação destes com a religião.Item Verdade escrita, Deus criador, estruturação do sagrado(Edições Universitárias Lusófonas, 2013) Santos, António Ramos dos; Faculdade de Ciências Sociais, Educação e AdministraçãoOs textos bíblicos e mesopotâmicos possuem muitas semelhanças temáticas. A criação do mundo é uma delas. tentaremos neste artigo a comparação entre várias obras para compreendermos as tradições em causa, como é o caso do Génesis e do Enumaelish.